A MÚSICA DO FILME
A MÚSICA DO FILME
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A Música de uma Gueixa.

2005 foi um ano de muito trabalho para John Williams. O mais conhecido mestre de música para cinema da atualidade compôs uma grandiosa trilha para Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith), uma grave e sombria música para Guerra dos Mundos (War of The Worlds), uma étnica sinfonia para Munique (Munich) e ainda encontrou tempo para escrever uma sensível obra para Memórias de uma Gueixa (Memoirs of a Geisha).
Há vários anos, Spielberg e Williams planejavam a realização desse filme, mas sucessivos adiamentos do projeto culminaram com a escolha de outro diretor: Rob Marshall, mais conhecido por seu musical Chicago. Spielberg abriu mão da direção e assumiu a produção executiva, mas John Williams, já envolvido com a história, preferiu aceitar o desafio e abriu espaço em sua concorrida agenda para a composição do que muitos consideram como o melhor score do ano.
Williams buscou criar uma obra contemporânea e universal, porém com forte sabor étnico. Para isso, além da base de sua tradicional orquestra sinfônica, utilizou a sonoridade de instrumentos japoneses como koto, shakuhachi, shamisen, entre outros. E como destaques para os solos dos temas principais, convidou seus amigos e astros da música de concerto, o violoncelista Yo-Yo Ma e o virtuoso violinista Itzhak Perlman. Ambos já trabalharam com maestro Williams. O primeiro gravou obras de concerto de Williams e ainda participou da música de Sete Anos no Tibete (Seven Years in Tibet, 1997). Já Itzhak Perlman é o solista dos belíssimos temas de A Lista de Schindler (Schindler’s List, 1993).

Foto: Tjardus Greidanus, Associated Press
A música de Memórias de uma Gueixa descreve com delicadeza a dramática epopéia de Sayuri, uma pobre garota japonesa que é vendida por sua própria família para uma casa de Gueixas, em um Japão repleto de transformações sociais e políticas do início do século XX. O tema principal “Sayuri’s Theme” inicialmente é solado pelo violoncelo de Yo-Yo Ma, mas ao longo do filme aparece com diversos arranjos, como em “The Journey to the Hanamachi” em que soa sombrio com as cordas, ou ainda em “Becoming a Gueisha”, “A New Name... A New Life” e “Confluence”. Williams privilegia o clima étnico em faixas como “Going to School” e “Brush on Silk”, este último uma peculiar amostra de música típica japonesa da época com percussões, flautas e shamisen.
O tema secundário solado pelo brilhante violino de Perlman é “The Chairman´s Waltz”, a valsa do personagem vivido por Ken Watanabe (de O Último Samurai, 2003), que ainda ouvimos em “The Garden Meeting”. É brilhante a mistura entre a música ocidental e o toque japonês nas delicadas faixas “Chiyo’s prayer”, “Finding Satu” e “A Dream Discarded”. E a marca de Williams está presente nos ostinatos cadenciados de “Destiny’s Path” e na inspirada “As the Water...”. A faixa final, “Sayuri’s Theme and End Credits”, é um resumo da ópera, e como em vários scores de Williams, traz o tema principal numa espécie de “cardápio degustação”, solado por diversos timbres em tonalidades diferentes, e encerrado com um gran finale.
Cada novo trabalho recente de Williams é para mim uma aula de composição de música de cinema tradicional. A essa altura de sua carreira, John Williams não precisa provar nada. Ele não quer reinventar a roda ou mudar o mundo. Em Memórias de uma Gueixa, sua receita do bolo é simples. A perfeição com que ele mistura os ingredientes é que torna sua obra tão saborosa, tão especial. O conceito da música não tem nada de muito inovador ou surpreendente, mas é difícil de imaginar um resultado melhor para o filme.
Tony Berchmans
(C)2008 Tony Berchmans