A MÚSICA DO FILME

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A Música de Orgulho & Preconceito






Depois do sucesso da música de Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm, 2005), o compositor italiano Dario Marianelli solidifica seu nome como um dos novos expoentes da música de cinema da atualidade com este belo score para Orgulho & Preconceito (Pride & Prejudice, 2005).


O filme narra a difícil estória de amor entre a jovem Elizabeth Bennet e o aristocrata Mr. Darcy na clássica Inglaterra do final do século dezoito. Bebendo de uma fonte que mistura influências da música do período clássico e romântico, Marianelli compôs uma tocante obra de período que fornece o clima musical perfeito para o filme, e ainda descreve com precisão o timing da narrativa. Logo no início do filme temos uma bela demonstração temática com a faixa “Dawn” solada pelo pianista Jean-Yves Thibaudet, tema recorrente ao longo do score que - me perdoem os estudiosos – é tão belo que bem poderia ter sido composto por Chopin.


Encarregado pelo diretor Joe Wright com a difícil tarefa de compor algo na praia das primeiras sonatas de Beethoven, Marianelli desfila toda sua coleção de referências mais clássicas em faixas tipicamente de época, como na dança de salão “Meryton Townhall” e em trechos como “Another Dance”, “Can't slow down”, The Militia Marches in” e “Georgiana”. Prova de sua habilidade com as notas está na faixa “A Postcard to Henry Purcell”, em que Marianelli primeiro apresenta o tema de Purcell solado por um violino que acompanha a cena da dança entre os protagonistas, e ao final desenvolve uma cadência envolvente com as cordas que retira a sensação de realismo da cena destacando o sentimento que está rolando entre os personagens.

Mas o compositor não se limita a ficar navegando pelas ondas Clássicas e Românticas. Em faixas como “The Living Sculptures of Pemberley” e “Liz on The Top of the World”, a música perde o compromisso de época, mas não perde o tom profundamente emocional. O mesmo acontece na belíssima faixa “The Secret Life of Daydreams” em que Marianelli apresenta um viajante e grandioso tema secundário que se inicia ao piano solo com sabor mais impressionista, e ainda na melancólica “Darcy's Letter”. Exemplos de descrição variada das cenas estão nas faixas “Arrival to Netherfield” e “Your Hands Are Cold”, em que num único trecho a música passa de tensa para triste, emocional e reflexiva, sem perder o fio da meada.


Na minha opinião o maior mérito de Marianelli é o de conceber uma partitura tecnicamente muito complexa, sem perder duas qualidades fundamentais para a eficácia da música de cinema: Primeiro, a profunda sensibilidade na busca do tom dramático exato da história. Segundo, a descrição sincronizada dos momentos do filme. Em muitas cenas, a música acompanha com precisão os diálogos e ações dos personagens. Poucos compositores têm habilidade, tato e técnica para compor um score deste nível, e aqui está o prova do talento de um compositor que veio trazer orgulho para a música e cinema, sem preconceitos.



Tony Berchmans

 

(C)2008 Tony Berchmans

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