A MÚSICA DO FILME

A Musica de Avatar

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Muito se falou sobre a super-produção de James Cameron, um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema. Detalhadas análises discutem o roteiro, os efeitos visuais, a mensagem politicamente correta, a tecnologia 3D, a gigantesca campanha publicitária de lançamento e outros aspectos do filme. Mas raramente encontramos alguma menção sequer sobre um dos elementos mais fundamentais na construção do clima de uma obra deste gênero: A sua musica. É consenso entre cineastas e cinéfilos a consideração da importância da musica no conjunto da narrativa cinematográfica. Mas enquanto ferramenta dramática, é um aspecto pouco estudado e difícil de ser compreendido. A ignorância sobre os mecanismos que regem a interação entre musica e imagem frequentemente resulta em soluções criativas pobres. Por outro lado, quanto mais o diretor se dá conta do que a musica pode fazer por seu filme, mais recursos ele terá para atingir seus objetivos. Num filme como Avatar, é enorme o peso da musica no impacto geral do filme junto à percepção do público. Basta imaginarmos ver o filme sem a música para termos uma idéia da brutal importância de um trabalho eficiente de composição.


O compositor da grandiosa trilha de Avatar, James Horner, dedicou mais de um ano à produção do que ele considera seu maior desafio em 30 anos de carreira. Experiente, Horner é um dos compositores mais reconhecidos de Hollywood e já participou da criação de vários blockbusters, como Coração Valente, Apollo 13, Uma Mente Brilhante, Jumanji, Lendas da Paixão, Willow – Na Terra da Magia, entre muitos outros. Mas dois dos maiores êxitos de sua carreira foram suas parcerias anteriores com o diretor James Cameron: Aliens – O Resgate e o recordista histórico de bilheteria Titanic. Este último guarda fortes traços similares a Avatar no que diz respeito a certas características do estilo de composição de Horner. Apesar das temáticas diferentes, Horner dá muito valor ao conteúdo emocional das histórias. E como a musica atua diretamente na emoção do público, ele habitualmente busca desenvolver sua trilha em torno de um melodia recorrente ao longo do filme, artifício que usa em Avatar. Há um tema principal de quatro notas – cujas duas primeiras são iguais ao seu famoso tema de Titanic – que aparece inúmeras vezes durante a aventura, porém arranjado de diversas formas. É neste último ponto que a trilha de Avatar se torna especial: A diversidade de sonoridades que Horner cria para acompanhar uma trama que envolve aventura, ficção científica, guerra, drama e romance. A musica de Horner transita entre as doces e mágicas texturas que descrevem o universo encantado do povo de Pandora, até as mais agressivas e grandiosas percussões orquestrais que acompanham a brutalidade do avanço militar. É uma das trilhas mais variadas e coloridas de Horner. Seu rico trabalho de orquestração mistura sintetizadores, orquestra sinfônica, instrumentos étnicos e corais, em diversas formações. E sua experiência o habilita a usar todos esses ingredientes de sabores tão diversos sem transformar sua trilha numa salada indigesta. Ainda que estilisticamente seja uma composição bastante conservadora, o resultado geral de sua musica é uma receita saborosa e perfeitamente adequada ao filme. Horner não é um compositor de vanguarda ou que tenta romper paradigmas de composição. Do contrário, busca construir algo criativo e belo dentro dos padrões de uma linguagem musical familiar ao grande público. Exemplo desta aproximação pelo gosto popular é a própria canção final “I See You” interpretada pela cantora britânica Leona Lewis e composta por Horner e o produtor Simon Franglen, parceiro de Horner também no mega-sucesso anterior “My heart will go on”, canção tema de Titanic.


Diante de ambiciosa pretensão inovadora do projeto de James Cameron, Horner parece ter entendido que a responsabilidade pelo caráter tecnológico é da imagem e não da trilha musical. Assim, com uma sonoridade grandiosa e repleta de diferentes nuances, sua elaborada musica mira sempre o aspecto emocional e se integra com brilhantismo ao conjunto de Avatar.





Tony Berchmans

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